quarta-feira, 11 de junho de 2014

ÀS CEGAS



Abrir caminho entre nuvens negras pudera.
Há um amor, que às cegas, busca o seu par.
Perdi a direção, extraviado sapato de levitar.
Um coração a deriva da tristeza destempera.

Quase viva; meio morta fica no chão a poesia.
Até a fantasia de tristeza fechou as suas asas.
Estão sem cor as alegorias e as idéias: rasas...
Status quo que ousou chamar-se melancolia.

Mas palavras pousam no papel assim mesmo.
Ora fluem lentas... Ou feito corredeiras correm.
Vão refinando mágoas, sentimentos escorrem.
E a dor que não é de aço vai no tempo a esmo.

Rosemarie Schossig Torres

terça-feira, 10 de junho de 2014

AVE SEM ARRIBAÇÃO



Mundo! Um quintal de fugazes visões.
Vendaval; fogem dos olhos, batem asas.
Qual um verso vulgar, com idéias rasas,
passa por mim, vai a outras imaginações.

Roto quebra-cabeças, as cores esvaem.
Logo vem se instalar diferente cenário...
Retinas se re-encantam, quadro vário,
é fotograma frágil, as suas peças caem... 

...No olvido, pois surge um novo retrato.
A minha vida: paisagens em circulação.
Tenho o destino da ave sem arribação,
que perdeu seu rumo, num vôo inexato.

Rosemarie Schossig Torres

sábado, 17 de maio de 2014

Sentimento Sem Metáforas



Eu sei que não há máscaras para o amor...
Às claras reluz; sentimento sem metáforas.
Odeia trapaças; artimanhas deixa de fora,
rechaça quem se vale de mentiras; traidor.

Coração vê muito além de meras aparências. 
Pondera os gestos, vai mais fundo: no olhar...
E pressente lá nas suas entrelinhas, fulgurar,
o desejo verdadeiro, alma em transparência.

Transcendências de uma emoção essencial...
que transborda pelas beiradas do tempo afora.
A paixão apenas lambe seus pés e vai embora. 
Mas o amor ao rés da eternidade, sorri imortal.

Rosemarie Schossig Torres

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Antes Das Nuvens



Antes das nuvens, há dois pares de asas,
como que puxando bois, trazendo a chuva.
Logo rangerão raios sobre nossas casas...
das sombras fofas, negras, roupa de viúva.

Talvez culpa do sol tímido, indeciso, oculto...
buscando moitas pra abrigar o riso amarelo,
que se acoita nos nimbos de duvidoso vulto,
enquanto um deus trovão bate o seu martelo.

Então algodões nada doces, sujos de cinzas
cobrirão o cenho do céu;dirão: vem tormenta!
E as aves do início, como arautos ranzinzas...
já estarão longe, noutro céu, onde nem venta.

Rosemarie Schossig Torres

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Devaneio Sem Freio



Imaginação surfa pelas nuvens, mas cai...
Perde gás, derrapa em curvas de horizonte.
E escorrem olhos nas encostas dos montes,
se enroscam naquela fumaça que se esvai.

Tudo porque vi uma janela aberta para mim.
A mente criou asas, bebeu oxigênio azul céu.
Paisagem me abraçou descerrando seu véu;
alçou cores, ganharam vida, fizeram motim...

Embaralhado o cenário, ficou anil a grama,
verde o firmamento , o morro se avermelhou,
com a tinta das turneras e a flor acinzentou...
A íris, faminta,a tantos matizes se amalgama.

O delírio faz a cama, onde a poetisa se deita.
Por enquanto estou nesse devaneio sem freio,
até que uma estrela, aterrissada de permeio,
impeça o caminho e a mágica seja desfeita...

Rosemarie Schossig Torres

domingo, 6 de outubro de 2013

Labirinto De Papel




Eu espreito os pequenos perigos que me rodeiam.
São venenos tão amenos, que parecem remédios,
toxinas do tal cotidiano vão infectando com tédio...
Todos os meus planos e braços já não os enleiam.

Espio os passos dos contratempos chegando perto.
Velhos inimigos, ameaças rotineiras sempre iguais.
Não matam a hospedeira, mas entristecem demais.
Tecem redes, estrangulam a alegria, vira deserto...

...a esperança de escapulir desse labirinto de papel.
Quisera eu decifrar tal torre de babel ao rés do chão,
o tapete que transporta meus pés rumo à desilusão.
Coração bate em falsete, um descompassado tropel.

Mas vou vigiando esse anão que se agiganta, é água,
tanto bate até que fura o desejo de escapar da apatia.
Já arquiteto a ação de despejo para expulsar a arrelia,
dejeto estorvando o caminho e distribuindo mágoas...

Rosemarie Schossig Torres

sábado, 5 de outubro de 2013

Sem Medo




Qual aquela flor que se entrega...
ao vento, à borboleta que acaricia,
dôo-me à luz, advento do novo dia.
Ao sol que irradia e no céu trafega.

É arrebol, já estou pronta pro acerto.
E se desponta um erro, tão humano,
aceito com o coração inteiro e sano,
sem medo nenhum do desconcerto.

À noite, luz em degredo, descanso...
Sou o que sou, não importam rumos.
Abro as portas ao sonho, o prumo...
Que ajeita meu caminho. Daí avanço.

Rosemarie Schossig Torres